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Esportes da mente como poker e xadrez trazem muitos benefícios para o cérebro

O neurologista Robert Friedland costuma dizer que o cérebro é como qualquer outro músculo do corpo. O uso contínuo ajuda no fortalecimento das atividades funcionais e ele precisa ser exercitado para não atrofiar. Para atingir este fim, os esportes da mente, como poker e xadrez, são fundamentais e a prática destas modalidades traz muitos benefícios para o cérebro.

O número de estudos que indicam isto não para de crescer e cada vez mais médicos estão se especializando no assunto para entender melhor o fenômeno. Stephen Simpson, especialista na parte mental do poker, é um exemplo disto. Ele já trabalhou com profissionais dessa modalidade como Chris Moorman e Liv Boeree e conta com um extenso currículo de pesquisas no esporte.

Simpson é um entusiasta quanto as vantagens de praticar poker. “Quando o cérebro humano realiza uma atividade constantemente, novas partes do cérebro são criadas. As fibras nervosas são cercadas por mielina. Quando há muita prática de poker, mais mielinas são criadas”, afirmou o médico em entrevista ao site Poker Listings.

Isso significa que quem pratica poker com frequência tem maiores níveis de mielina, o que se traduz em mais rapidez e precisão no cérebro do atleta. Para Simpson, isto explica, em parte, como o competidor profissional de poker consegue manter um nível de concentração maior do que uma pessoa leiga no assunto.

“Os competidores que trabalham comigo se esforçam muito para melhorar suas performances. Eles são muito competitivos, e também apresentam níveis altos de concentração e foco.” continuou o especialista. Tais características são muito importantes no sucesso do competidor, pois o poker é uma modalidade estratégica e profunda em detalhes,  que exige altas doses de concentração de todos os competidores.

Quem pratica poker com frequência também se beneficia de outras maneiras. De acordo com Simpson, os melhores atletas dessa modalidade sabem controlar suas emoções e isto se reflete em situações que vão além das mesas. “É fato que o poker me ajudou a melhorar minhas decisões, e isso vai muito além da mesa, pois impacta em praticamente todos os aspectos da minha vida”, disse o competidor de poker e empresário Phil Galfond.

Não é preciso ser um profissional dessa modalidade para notar os benefícios do poker para o cérebro. Para o Dr. Jeffrey Cummings, professor de neurologia da UCLA, praticar de maneira esporádica o esporte pode reduzir as chances de problemas no cérebro relacionados a memória.

Para o especialista, a prática do poker estimula áreas importantes que ajudam a manter em dia o setor responsável pela memória — algo muito relevante para os idosos.

Ele também aponta que este esporte mental é uma fonte de prazer para o cérebro. Quando praticado, o competidor pode sentir uma sensação de relaxamento e prazer, o que traduz em sensação de bem-estar.

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Photo by David Lapetina

Em muitas maneiras os benefícios do xadrez são parecidos com o poker. Uma das principais semelhanças está no fato de que a prática do xadrez também fortalece a defesa do cérebro contra eventuais problemas que surgem com o avanço da idade.

O Dr. Friedland divulgou um estudo no jornal The New England Journal Medicine e concluiu que os praticantes de xadrez exercitam o lado do cérebro responsável pelas lembranças — algo fundamental para o funcionamento correto da memória.

Também está comprovado cientificamente que o xadrez ajuda a aumentar a capacidade da mente relacionada a leitura. Em 1991, um estudo realizado pelo Dr. Stuart Margulies testou 53 jovens estudantes que participavam de aulas de xadrez e os comparou com estudantes da mesma faixa etária que não praticavam o esporte.

O resultado foi surpreendente, e mostrou que os adeptos a essa modalidade tinham capacidade mais fácil de interpretar texto em relação ao grupo comparado. Indiretamente, isso auxilia em outras áreas da linguagem, como aprender um novo idioma.

A capacidade de interpretação elevada também se traduz para a concentração e a habilidade de memorizar sequências com facilidade. Em 1996, o psicólogo Fernand Gobet realizou uma pesquisa com Garry Kasparov, um dos maiores da história deste esporte, na qual concluiu que o competidor tinha muita facilidade em entender e decorar padrões sequências.

“Nesse estudo, concluímos que a memória e o acesso a memória são predominantes para a habilidade de Kasparov e quase certamente para os outros praticantes de xadrez”, disse Gobet após concluir a pesquisa com o russo.

Os enxadristas precisam pensar a cada movimento e traçar estratégias a todos os momentos. Isto leva o cérebro a produzir alternativas a saídas durante inúmeras vezes ao decorrer de um duelo.  Isto fez com que o Dr. Robert Ferguson concluiu que tal necessidade ajuda o cérebro em outras situações da vida que são importantes para o ser humano.

Para Ferguson, o xadrez desenvolve consideravelmente a capacidade do cérebro humano de encontrar diferentes variações e resolver problemas. Ele concluiu que jovens enxadristas tendem a ter 17% de capacidade a mais do que a média no que diz respeito a pensar com rapidez e agir com precisão em diferentes segmentos da sociedade.

Esta capacidade de encontrar alternativas e pensar nas sequências também se traduz em melhor habilidade matemática. “A matemática é sobre o reconhecimento de padrões, a lógica e a capacidade de brincar com variáveis na sua cabeça, e sabe-se que o xadrez é bom para isso”, afirma o site Dr. G’s Brain Works.

Como os especialistas e estudos já comprovaram, não é preciso ser um gênio no esporte ou competidor profissional para aproveitar as vantagens dos esportes da mente. Basta algumas horas por semana praticando poker ou xadrez, por exemplo, para perceber o quão bom eles são para o cérebro.

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