As diferenças entre o sertanejo de raiz e o universitário

Você sabe a diferença entre o sertanejo raiz e o sertanejo universitário?

Nascida no interior das regiões sudeste, centro-oeste e sul do Brasil, a música sertaneja, ou moda de viola, surgiu por volta de 1910. Sua melodia costuma ser alegre e dançante, mas sua letra traduz as angústias, os anseios, as alegrias e esperanças, os amores e desamores cantados principalmente no interior.

Você sabe a diferença entre o sertanejo raiz e o sertanejo universitário?

Caracterizada pelas duplas, a música sertaneja tem admiradores por todo o país. Tanto é lembrada, que é uma das raízes de outro gênero musical bem marcante atualmente: o sertanejo universitário. As duas opções têm algumas semelhanças, mas mesmo assim elas continuam sendo estilos diferentes. Quer ver?

O que difere o sertanejo raiz do sertanejo universitário?

O sertanejo raiz nasceu nas áreas rurais do país. As canções eram tocadas por homens trabalhadores que se reuniam para, através das canções, expressar sentimentos. O reconhecimento começou a surgir e o gênero ganhou espaço nacional quando Cornélio Pires decidiu levar para os grandes centros a música da roça. Mais tarde foi ele quem organizou um grupo de violeiros que lançou o primeiro disco, esgotado logo no início das vendas. Depois do sucesso do disco de Cornélio, várias duplas começaram a surgir e a fazer sucesso.

Você sabe a diferença entre o sertanejo raiz e o sertanejo universitário?

Já o sertanejo universitário, como o próprio nome indica, tem a ver com a ingressão de jovens na universidade. Por volta de 1990, quando estes jovens começaram a entrar nas faculdades, levaram consigo parte da tradição do sertanejo raiz. O estilo musical tomou conta e virou um grande sucesso no país todo, mas em vez de falar sobre as tristezas e angústias, de refletir os acontecimentos cotidianos ou retratar a realidade de uma determinada região, misturou-se com outros ritmos, como o arrocha, o pop e o funk carioca.

Além da diferença de origem – um no interior, outro na cidade, os instrumentos utilizados também são diferentes. O sertanejo raiz começou com o uso da viola, mais tarde do violão. O sertanejo universitário se utiliza da guitarra, contrabaixo, bateria. A diferenciação dos instrumentos é também responsável por mudar todo o ritmo e o local onde o estilo é apresentado.

Para encerrar, é justo trazer alguns dos principais nomes da música sertaneja e do sertanejo universitário. No primeiro, temos grandes nomes como Tonico e Tinoco, Leo Canhoto e Robertinho, Pedro Bento e Zé da Estrada, Milionário e José Rico, Chitãozinho e Xororó, Trio Parada Dura.

Já no sertanejo universitário temos Victor e Leo, Fernando e Sorocaba, Zé Henrique e Gabriel, Luan Santana, Gustavo Lima, Michel Teló, Munhoz e Mariano, Maria Cecília e Rodolfo, Paula Fernandes.

Você sabe a diferença entre o sertanejo raiz e o sertanejo universitário?

Os dois gêneros são ouvidos e lembrados, mas o público continua distinto. Existem os grandes fãs do sertanejo raiz, normalmente pessoas do interior. Já os que curtem as baladas de sertanejo universitário lotam esses shows Brasil afora.

Qual desses estilos você prefere: o sertanejo raiz ou o universitário? Comente abaixo e vamos ver quem ganha essa disputa!

One Comments

  1. Reply Post By Rodrigo Costa

    O sertanejo raíz tem a história parecida com o Blues nos EUA —guardadas as devidas proporções, desde o “Pagode”, a “Moda de Viola”, passando pelo “Sertanejo”, até …. chegarmos no segundo estilo citado, em minha opinião particular, não deveria de modo algum ter “sertanejo” na nomenclatura. É quase uma ofensa, pois poderia se chamar qualquer coisa como “Pop Universitário” e ter vertentes como “Brega Universitário”, “Arrocha-Funk-Pop Universitário”, menos conter a palavra “Universitário”, porque se vermos os clipes de músicas ditas do estilo, o que vemos é uma imitação descarada de clipes de Hip-hop e Pop Latino, onde não há absolutamente nada de SERTÃO. O que se vê são uns playboys sem estilo definido (cabelo de jogador de futebol, calça de dançarina de Zumba ou de Emo, Barba de George Michael, Colares de funkeiros “Ostentação”, etc) e ficam bebendo bebidas caras, em iates cheios de mulheres-objeto (que são extremamente desvalorizadas nas letras, mas nessa hora o feminismo não funciona… elas vão para as baladas, cantam as letras inconscientemente, levadas pela vontade de beijar mais quantidade do que qualidade e não escutam a banda que toca na balada). Bom, resumindo não há nada de SERTÃO, portanto não veio do sertão e não pode se chamar Sertanejo. Eu apoio a mudança do nome por questões éticas e respeito com a música sertaneja raiz, que também sofreu suas alterações, mas não se banalizou porque ainda tinham letras que diferiam das clássicas, super simplistas (e não menos lindas) letras que falavam da vida no campo, como “A Caneta e a Enxada” de Zico & Zeca, e tiveram outras que mudaram a incrementaram o estilo com letras que falavam de Cristo, como “Rastros na Areia”, de Duduca & Dalvan, na primeira metade da década de 1980 até chegarmos hoje nas letras que fazem das mulheres objeto sexual como “As mina pira, pira. Toma tequila. Sobe na mesa. Pula na piscina” com coreografias obscenas sendo repetidas até por crianças porque esse estilo pseudo-sertanejo toca de forma maçante em rádios de baixa qualidade que acessa o público popular em massa. Outra coisa é que um padrão engessado e enlatado se instalou como sendo o de sucesso e todas as bandas fazem músicas iguais com vozes que vão de quem imita Gian & Giovani, passando por gritos que tentam parecer com Bruno & Marrone, até mulheres cantando de forma masculinizada para dar tom de vingança nas letras… E se você ouvir umas 10 destas bandas, duplas, sei lá, tocando, não dá para saber quem é quem, porque tudo é a mesma coisa, o mesmo ritmo e o mesmo padrão de letra que é ou bebedeira, ou se vingar por ele(a) ter lhe abandonado, ou “pegar” a mulherada”, ou ostentação do dinheiro (do pai), ou tudo isso junto engarrafado.
    Eu nunca vi uma pessoa comprar um CD, ou baixar um MP3 e escutar um disco de Sertanejo Universitário inteiro, relaxando em casa e mergulhando na viagem das letras. Eles colocam esse estilo para lavar o carro, para fazer outra coisa ou para servir como “isca de periguete” quando entopem o carro de som e tocam alto até de madrugada sem respeitar as pessoas por perto. Isso tudo porque eles não curtem as bandas, as letras, eles gostam é da balada. A música é só um pano de fundo sem importância.

    Bom, resumindo, isso é não é, nunca foi e nunca será Sertanejo.

    PS: sou roqueiro e blueseiro, mas aprecio uma boa moda de viola ou um pagodão com Almir Sater ou Tião Carreiro, um sertanejo com Xitãozinho & Xororó por um “Fio de Cabelo” e me vou até por um Samba de raíz, uma MPB bem construída, uma música mineira regional de letras fascinantes, etc.

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