Tecnologia e música, mais ligados do que se imagina

Tecnologia e música, mais ligados do que se imagina

Ao pensarmos no nosso dia a dia é quase impossível identificar um momento em que não estamos envolvidos com tecnologia. Facilitando as atividades diárias e ampliando as possibilidades, a inovação transformou um outro mundo, o da música.
Não é preciso muito para identificar as mudanças e como elas influenciam a nossa forma de ouvir música. Não fazem muitos anos que ouvir música em aparelhos portáteis era impossível, hoje os celulares reproduzem os álbuns completos dos artistas e podemos curtir em qualquer lugar.
A tecnologia evoluiu para dar mais possibilidades ao consumidor e abrir novos horizontes para os produtores. Grande parte das mudanças são alimentadas pela velocidade que as informações rodam pelo mundo.

(Fonte da imagem: Reprodução/Western Wire Mag)

(Fonte da imagem: Reprodução/Western Wire Mag)

A evolução da indústria fonográfica

A evolução da indústria musical está diretamente ligada a uma outra evolução, a das mídias e formatos de distribuição (desde os discos de vinil, passando pelo rádio, as fitas K7 e os CDs, até chegar ao MP3 e microchips).
Para fazer sucesso, antes era preciso fazer parte de uma grande gravadora, hoje só é preciso cair no gosto popular e nisso a internet auxilia muito.
O poder mudou de mãos, isso é a força da web. Agora é o público que dita o que quer ver ou ouvir e não o contrário. Graças a isso, as gravadoras se obrigaram a mudar a forma como trabalhavam, o que também garantiu acesso de produtores independentes a um grande público.

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

O fim dos álbuns
A grande mudança ocorreu nos anos 90, mais precisamente em 1998. No Brasil os mais moderninhos podiam ouvir suas músicas em discmans (reprodutores portáteis de CDs), na Coreia do Sul eram criados os primeiros aparelhos para reprodução de MP3.
Portabilidade somada ao acesso facilitado às músicas, essa era a chave para a revolução. CDs exigiam meses de espera até serem lançados e tinham preços um pouco “salgados”, já o MP3 poderia ser baixado em alguns minutos.
O “boom” da mobilidade foi em 2001 quando Steve Jobs anunciou o que viria a ser a maior febre da década: o iPod. Ele foi lançado apenas alguns meses após o lançamento do iTunes, a loja da marca que permite comprar músicas em formato digital.
Os lançamentos saíram das rádios e foram parar na tela do computador. A tecnologia estava na velocidade, na comodidade e na economia: sem precisar sair de casa e sem a necessidade de fazer a compra de álbuns inteiros, você poderia curtir apenas suas músicas preferidas. Com poucos cliques, tudo passou a caber em seu bolso.
Uma nova era para a música se inicia com o fim da MTV
Até o início dos anos 2000 quem quisesse conhecer o lançamento do novo vídeo clip precisava esperar até a noite de sexta-feira para conferir na programação da MTV.
Depois da transmissão as linhas telefônicas ficavam congestionadas, todos queriam compartilhar com os amigos as primeiras impressões.
O encerramento da MTV brasileira na televisão aberta marcou o fim de uma era e demonstra bem a forma como a popularização das redes sociais e a internet mudaram o consumo de conteúdo musical.
Em 2005 foi criado o YouTube. A rede de compartilhamento de vídeos foi o ponta pé inicial para a acessibilidade que temos hoje. Antes as pessoas eram obrigadas a seguir a programação da TV, se quisessem conhecer o clip novo, agora com poucos cliques na tela ele passa a aparecer em seu computador.

(Fonte da imagem: Reprodução/The Inspiration Room)

(Fonte da imagem: Reprodução/The Inspiration Room)

Em pouco tempo o YouTube tornou-se um fenômeno, as gravadoras começaram a notar que ele era um poderoso instrumento para a divulgação de artistas. E foi aí que a MTV começou a ficar de lado.
Já em 2009, o YouTube já era conhecido como “A nova MTV”, algo que foi potencializado nos últimos anos. Começaram a surgir canais exclusivos de gravadoras e grupos de entretenimento, como o VEVO. A promoção na internet começou a ser priorizada, levando a exclusividade que antigamente era de rádios e canais de televisão para a web.
O resto já pode-se imaginar (e lembrar), os anunciantes foram junto com as gravadoras, transferindo investimentos para os canais online. O crescimento do YouTube foi inevitável e alguns veículos tradicionais com o foco em música foram ficando de lado.
O crescimento foi potencializado com a divulgação de conteúdo pelo novo “boca a boca” (de compartilhada em compartilhada), que ocorre nas redes sociais, como Facebook e Twitter. Logo que lançada, uma nova música vira o assunto mais comentado das redes, atraindo cada vez mais acessos ou visualizações para os vídeos.
Com isso, em segundos um internauta pode conhecer novos artistas ou músicas. Antigamente isso poderia levar dias, semanas ou até mesmo meses para acontecer. Isso gerou mais um novo fenômeno, que são as celebridades instantâneas.

(Fonte da imagem: Reprodução/The Independent)

(Fonte da imagem: Reprodução/The Independent)

“15 minutos de fama”
Essa frase, de Andy Warhol, é uma das mais conhecidas do mundo e hoje ela faz ainda mais sentido. Qualquer pessoa pode fazer sucesso, com ou sem talento.
O maior exemplo do sucesso que nasceu na internet é o do Canadense Justin Bieber, ele soube prolongar seus 15 minutos para muito mais e se tornou um fenômeno mundial. Outros que podem ser citados são os hits Gangnam Style e até mesmo Friday, de Rebecca Black.
Não é nem necessário querer fazer uma boa música, seja ela autoral ou não. A música de Bar Mitzvah do jovem Nissim Ourfali virou uma febre no Brasil, algo que inicialmente era apenas uma brincadeira com a família.
Se souber aproveitar a ferramenta, a oportunidade é das pequenas gravadoras e dos músicos independentes. Com boa estratégia, música boa e um pouco de dedicação é possível fazer qualquer faixa fazer sucesso nas redes. Um bom exemplo é o da Gabi Luthai, que gravava vídeos caseiros de versões de músicas conhecidas e ficou conhecida dentro e fora da web, gravando recentemente um CD em gravadora influente.
Já existem métodos de gravação caseiros capazes de proporcionar resultados muito próximos aos de estúdios profissionais, com um investimento relativamente baixo.
Não exista fórmula do sucesso! Mas o YouTube hoje é o termômetro da música, de uma forma tão significativa como a Billboard foi nas últimas décadas (lembrando que ainda é relevante).
Sem dúvidas essa projeção inclui uma variedade tão grande de lançamentos que chega a ser inconsumível, além de gerar muitas oportunidades para todos os tipos de produção.

 

Serviços Streaming
Por fim, chegamos a última tecnologia que andou modificando o mercado da música, é o serviço Streaming. Uma tecnologia que possibilita a transmissão de áudio e vídeo pela Internet, sem a necessidade de fazer o download do conteúdo que está sendo visto ou ouvido.
O aparelho (seja computador, tablete, celular etc) recebe informações ao mesmo tempo que transmite ao usuário.
Esse serviço surgiu em 1995, com o Real Áudio, e se popularizou na rede, por ser capaz de aceitar os longos downloads dos internautas.
Já no ano seguinte, o Liv @nd in Concert realizou um Streaming com um fluxo de áudio ao vivo por meio de uma rede. Isso marcou um novo ciclo a partir da evolução do áudio.
A partir dessa evolução no áudio, deu-se início às pesquisas para que imagens também pudessem ser transmitidas e, em 1997, a Progressive Networks apresentou o Real Vídeo.
Mas o serviço se tornou mais acessível recentemente com o uso de aplicativos para sistemas android, IOS e Windows. As música se tornaram acessíveis pelo telefone celular gratuitamente. Nos serviços Premium o usuário pode ter ouvir off-line, sem baixar as músicas.

 

FONTE(S): NPRNATIONAL POSTMASHABLELOWENDMACBBC NEWS; TecMundo.

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