Inezita Barroso, a dama da música caipira, completa 90 anos

Inezita Barroso, a dama da música caipira, completa 90 anos

Inezita Barroso, a grande dama da música caipira, completou 90 anos ontem, dia 4 de março.

Nascida de uma família quatrocentona, Ignez Magdalena Aranha de Lima nasceu em um domingo de carnaval, sendo embalada pelas marchinhas do Cordão Camisa Verde, que passava em frente à sua casa naquele momento.

 

A artista é reconhecida como uma das maiores incentivadoras da música sertaneja. Além de cantora, Inezita é também apresentadora e há décadas está à frente do programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura. A atração recebe convidados que apresentam música sertaneja de várias épocas.

Inezita foi educada e criada entre a cidade e o campo. As constantes mudanças de cenários se refletiam nas diferentes experiências musicais às quais era submetida. Nas temporadas de férias, longe da cidade grande, havia uma imersão na música caipira, que entrou na sua vida para não sair mais. Já na casa do avô Filadelfo, escutava os discos de música clássica que ele tanto amava. Sem contar no bolero mexicano, paixão dela que seu pai alimentava comprando discões de 78 rotações de cantores mexicanos.

“É uma coisa engraçada, porque todas as referências se misturavam mesmo. Não pensava em gêneros opostos, pensava em música. A clássica, a viola caipira, as modinhas, as serestas e até os mexicanos”, disse em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

Para ela, sua música acabou por refletir uma diversidade de influências, mas fez escolhas.

“Cantei apenas música popular brasileira. Tanto aquela pura do folclore, também aquelas populares baseadas nas lendas folclóricas e ainda as apenas populares, feitas por ótimos compositores. Ouvir e conhecer música assim diferente foi essencial para escolher o que e como fazer a minha obra.”

Ela foi a primeira cantora a gravar a música Ronda, clássico da fossa de Paulo Vanzolini. Mas no seu repertório nunca deixa de constar a célebre Moda da Pinga, de Ochelsis Laureano e Raul Torres. E, em novembro de 2014, foi eleita para a Academia Paulista de Letras.

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